01.07.2019
Que diferença faz a independência?
A Cité Gestion tornou-se independente depois de fazer parte de um grande grupo bancário. Isso mudou alguma coisa na gestão patrimonial e na gestão de ativos? A resposta talvez pareça meio ambígua, mas digamos que as mudanças foram ao mesmo tempo poucas e muitas, se compararmos a trajetória da Cité Gestion (que pertenceu ao banco Lombard até 2017) à da Thematics AM, criada há alguns meses por ex-gerentes da Pictet.
Durante muito tempo, a Cité Gestion atuou como uma entidade híbrida no mercado de gestão patrimonial de Genebra. Inicialmente, essa empresa independente especializada em gestão de ativos estava sob total controle do banco Lombard Odier, que havia fundado a filial em 2009 por iniciativa de Bernard Droux, falecido em janeiro de 2015. Cerca de dois anos mais tarde, no final de 2017, houve um Management Buyout. Que mudanças essa operação trouxe para a Cité Gestion? Segundo o CEO Guy Barbey, no plano operacional não mudou quase nada:
“Como já acontecia antes da mudança do principal acionista, o Grupo Lombard Odier continua sendo um parceiro muito importante para a Cité Gestion. Utilizávamos e continuamos utilizando a infraestrutura bancária e os serviços de banco depositário e de gestão de ativos do Grupo.
Os fundos do Lombard Odier são processados, como os demais, pela unidade situada na Rue de la Cité, onde trabalham 53 colaboradores e que funciona com arquitetura aberta, continua o dirigente.

Criada em 2009 pelo banco Lombard Odier, a Cité Gestion foi adquirida no final de 2017 por seus dirigentes, entre os quais o CEO Guy Barbey (à esquerda), e Nicolas Geissmann. (EDDY MOTTAZ/LE TEMPS)
Mais de 4 bilhões sob gestão
Com cerca de 2,5 bilhões de francos suíços sob gestão na época da aquisição pelos dirigentes, a Cité Gestion superou o marco de 4 bilhões no início de 2019. A fusão com a Ultra Finanz, empresa especializada em gestão patrimonial com sede na Suíça alemã, injetou mais 800 milhões em ativos, numa operação anunciada no final de 2018. O desenvolvimento posterior da empresa é fruto de crescimento orgânico e do trabalho de profissionais especializados no setor bancário. Houve alguma mudança na atitude dos clientes potenciais após o remanejamento da estrutura acionária?
“Nada de realmente perceptível”, prossegue Guy Barbey. Acredito que alguns clientes apreciaram a oportunidade de ter o respaldo de um grande grupo bancário – um funcionamento sobre o qual sempre fomos totalmente transparentes; outros comemoraram o fato de lidar com uma empresa independente. Uma coisa é certa: graças à presença do banco, a Cité Gestion se desenvolveu e hoje registra uma sólida trajetória”.
Muito mais que a identidade de seus proprietários, o que distingue a Cité Gestion é “o fato de podermos efetuar o depósito das contas de nossos clientes, graças à licença para atuar ao mesmo tempo como banco de depósito e como negociante em títulos mobiliários”, explica o sócio-gerente Nicolas Geissmann, que se juntou à empresa no início de 2011. “Entre outras vantagens, esse tipo de funcionamento permite implementar uma cadeia de decisões mais rápida e eficaz, e sobretudo não depender da política dos bancos de depósito em matéria de conformidade e de localização geográfica”. Alguns estabelecimentos externos recebem cerca de 15% dos ativos administrados, e o restante é repartido em iguais proporções entre o banco Lombard Odier e a Cité Gestion. Outro elemento que nos diferencia é a política de proximidade, que se traduz no número reduzido de clientes para cada gestor. “Nosso coeficiente custos/receitas é deliberadamente alto, situando-se um pouco abaixo de 90%, de forma que tenhamos ao nosso dispor os meios necessários para trabalhar nas melhores condições possíveis, oferecendo serviços personalizados”, concluem os entrevistados.
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